quinta-feira, 14 de abril de 2011

CARTA ABERTA

CARTA ABERTA AOS ARTISTAS

É hora da Virada, chega de Homofobia !
Basta de Violência! Basta de impunidade para os agressores!

Nós, organizações e ativistas da luta anti-homofobia, queremos fazer um convite a transformarmos a Virada Cultural em um espaço contra o preconceito e todo o tipo de discriminação e violência. Esta é uma luta na qual, historicamente, artistas têm tido um papel fundamental e que, hoje, mais uma vez a sua voz se faz necessária.

No último período, temos assistido a uma escalada da violência e ações de guangues homofóbicas, racistas e sexistas, em episódios cujas frequência e gravidade exigem de todos uma reação. A lista parece não ter fim: manifestações públicas de grupos neonazistas, lâmpadas estouradas no rosto de homossexuais, soco inglês e até bombas caseiras.

A onda de agressões na região da Paulista e Augusta continuou, como no caso do ativista Guilherme Rodrigues, atacado no final de março. A ponto de a polícia especializada considerar hoje a região como uma “Faixa de Gaza”.

Isto tudo, no entanto, é apenas a ponta de um verdadeiro "iceberg" já que existem tantos outros casos que se perdem no silêncio cotidiano, sem alcançar repercussão. A própria Virada Cultural, um momento de alegria, tem sido palco de inúmeros ataques homofóbicos, quase sempre ignorados ou tomados como “brigas”, e registrados como “lesão corporal”.

Temos tentando reagir a tudo isto através protestos permanentes. Mas, acreditamos que esta batalha só será vitoriosa quando conseguirmos a solidariedade "ativa" dos que não acham que agressões assim possam ser consideradas “normais”. Agora, é preciso que todos repudiem o preconceito, tanto o das esquinas quanto o que se encontra nos corredores do Congresso, em gente como o fascista Bolsonaro, e suas lamentáveis declarações racistas e homofóbicas.

Nossa maior ameaça é o silêncio, o medo. E contra isso, vocês, artistas, podem cumprir um papel muito importante. Nesta Virada Cultural, convidamos todos os grupos, coletivos e artistas que estarão no evento a levantarem sua voz, usarem sua arte ou de qualquer outra forma manifestarem seu apoio à luta pela liberdade de expressão e pela diversidade da experiência humana, contra qualquer forma de violência.

Seria fantástico se na abertura de cada peça de teatro, se num gesto da coreografia, na improvisação da performance, cada um de vocês se juntassem a nós (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, negros, mulheres e todo este "arco-íris" que forma a espécie humana) em um grito que se faça ouvir em todos os cantos: BASTA!

Criatividade vocês têm de sobre. Então só precisamos de sua solidariedade. Faça um gesto. Dê uma palavra. Algo muito simples, mas que, com certeza, fará muita diferença na vida de muita gente que não quer mais o silêncio.

É hora da Virada, chega de Homofobia e preconceito! Basta de Violência! Basta de Impunidade!

Para mais informações, entre em contato, através deste e-mail ou dos seguintes:

Secretaria LGBTT - APEOESP / Subsede Sul - Santo Amaro
secretariaformacao@gmail.com

MOVIMENTOS CONTRA HOMOFOBIA:
movimentoscontrahomofobia@gmail.com

Guilherme Rodrigues: guiaarodri@hotmail.com

CSP – Conlutas: Dirceu Travesso – dirceutravesso1@gmail.com 
 Tel.: (11) 8923-7648

GT GLBT (CSP-Conlutas): Douglas Borges:
camaradadoug@hotmail.com

ANEL (Associação Nacional de Estudantes):
anel.sp.glbt@gmail.com

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

POBREZA
(Cecília Meireles)

Não descera de coluna ou pórtico,
apesar de tão velho;
nem era de pedra,
assim áspero de rugas;
nem de ferro, embora tão negro.

Não era uma escultura,
ainda que tão nítido,
seco,
modelado em fundas pregas de pó.

Não era inventado, sonhado,
mas vivo, existente,
imóvel testemunha.

Sua voz quase imperceptível
parecia cantar _ parecia rezar
e apenas suplicava.
E tinha o mundo em seus olhos de opala.

Ninguém lhe dava nada.
Não o viam? Não podiam?
Passavam. Passávamos.
Ele estava de mãos postas
e, ao pedir, abençoava.

Era um homem tão antigo
que parecia imortal.
Tão pobre
que parecia divino.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

REUNIÃO DO SETORIAL LGBT NACIONAL, DA CSP-CONLUTAS

SEGUE UM RESUMO


Conjuntura:

1.        Conversamos acerca do Conselho Nacional de combate à Homofobia, que está sendo criado pelo governo Dilma e salientamos a inutilidade de se criar conselhos que nada mais significam do que cabide de emprego e reforço da demagogia e dos hipócritas que se dizem militantes. Nossa contraproposta é que se crie em todas as repartições públicas e privadas um núleo de diversidade, ou, que as CIPAs incorporem em essa questão como essencial no âmbito das empresas.

2.        Sobre o kit de combate à homofobia nas escolas, elaborado pela secretaria de diversidade do MEC, com  apoio da ABGLT e outras ongs, avaliamos que toda iniciativa que implique no combate ao preconceito e na promoção dos direitos dos trabalhadores é bem vinda desde que surta efeito de fato. O problema é quea concepção do kit e sua implementação incorreu num erro muito comum na gestão pública brasileira: está sendo feita de “cima para baixo”, à revelia dos profissionais da educação. A nosso  ver, toda iniciativa que envolva a comunidade escolar deve partir de uma interlocução com essa mesma comunidade, o que de fato não ocorreu, significando que, se o kit chegar às escolas, pouco ou nada vai significar de concreto.

3.        Fez-se referência à “peleguice” da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), que muitas vezes atrapalha e boicota, dado o seu caráter governista, a aprovação de projetos favoráveis no Congresso Nacional. Salientou-se que, no momento, não há nenhum projeto de lei ou proposta favorável à comunidade lgbt tramitando no Congresso, apenas a iniciativa da Senadora Marta Suplicy que liderou um abaixo-assinado para o desarquivamento do PL 122/2006 (de criminalização da homofobia).

4.        Foi ressaltada a necessidade de rememorarmos e defendermos com mais ênfase o princípio “do direito a autodefesa”, especialmente como resposta às agressões homofóbicas. Que essa autodefesa seja inclusive através da força.

5.        Ressaltou-se também a necessidade de estabelecermos uma interlocução com as frentes de combate à homofobia, com o cuidado para não apoiarmos inciativas pseudocombativas, de cunho demasiado conservador. Para tanto é necessário que tenhamos sempre em mente o que nos distingue e confere legitimidade: para nós a luta Lgbt não está desvinculada da luta de classes e portanto tem um caráter econômico profundo; não mendigamos migalhas legais ou favores institucionais, exigimos que o Estado cumpra o seu papel garantindo a todas as pessoas a plenitude do exercício dos seus direitos, para isso os agentes públicos e o aparato legal do Estado deve de fato ser laico e não responder aos anseios de grupos religiosos e obtusos. No entanto, temos claro que este Estado que aí está, jamais cumprirá verdadeiramente esse papel, pois serve ao capital. Temos a firme convicção que apenas com uma verdadeira e completa transformação desse Estado e, em última análise, desse “modus-operandi” da sociedade é que a pessoa (LGBT e não LGBT) tornar-se-á plena no exercício dos seus direitos.



Organização / Atividades:

1.        Discutimos a nossa participação no ato do dia 19/02 de combate à homofobia. Decidiu-se fazer no domingo próximo, DIA 13 (final da tarde, 17:00) uma reunião aberta da CSP-CONLUTAS para discutirmos e organizarmos a nossa participação. Criou-se uma comissão para organizar essa reunião (Douglas, Folha, Babi e Guilherme). A REUNIÃO SERÁ NA SEDE CENTRAL DA APEOESP.

2.        Foi proposta e aceita a ideia  de ser criado um boletim eletrônico e uma lista (mailing) para melhorar a organicidade do GT Nacional.

3.        Enfatizou-se a necessidade de fortalecermos os GTs estaduais (focando especialmente RJ e SP).

4.        Iniciamos a discussão sobre a nossa participação da “Marcha à Brasília”. Concordamos que devemos participar da construção da marcha para cuidarmos de sua configuração, para que não se torne em mais um “Viva Dilma”.