terça-feira, 30 de novembro de 2010

FALA DE 27/11/10 – PLENÁRIA ESTADUAL / CSP-CONLUTAS

Os nossos nomes falam apenas da nossa superfície... As vezes é preciso ir mais fundo se quisermos falar de quem somos verdadeiramente e, quando fazemos isso, começamos a descobrir que, quanto mais fundo vamos, mais iguais nos tornamos...

Tudo isso tem a ver com este encontro, esta plenária?
É que, ao trabalhar, nós fazemos quem somos... E nós somos muito mais do que pensamos. Ao trabalhar eu produzo subjetividades, estou me fazendo e fazendo os outros com quem trabalho. Perder essa dimensão do trabalho é alienar-se; torna-se uma ação alienada e alienante... é uma aliena-ação. O trabalho tem uma dimensão totalizante, universalizante, perder a dimensão do todo é alienar-se. Isso significa considerar o trabalho não numa dimensão excludente mas englobadora, integradora, unificadora. Tanto do ponto de vista do indivíduo quanto do ponto de vista do grupo... Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros também são trabalhadores, também trabalham. Muitas vezes o que faço no meu emprego é justamente o contrário de trabalho e quem está desempregado trabalha mais do que eu...

Não creio, como muitos, que não é possível distinguir o certo do errado, o humano do desumano, o sujeito de uma coisa... Recuso-me a ser tratado como uma coisa. Quero crer que sou mais do que um mero objeto. Recuso-me a aceitar que não participo da construção de quem sou... não aceito ficar de fora da construção de mim mesmo, isto é, farei tudo o que puder para que meu trabalho não seja um trabalho alienado, por isso não excluirei da equação algo de fundamental na minha fabricação: ser homossexual.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MAS NÃO TEM PROBLEMA!! NO ANO QUE VEM TEM PARADA DENOVO... NA PAULISTA!!! PARA QUE SERVE MESMO A PARADA?


GUILHERME REED
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


(...) A polícia investiga se algum ataque teve motivação homofóbica. Isso porque, de acordo com o boletim de ocorrência, no momento da agressão foram disparadas frases como "suas bichas, vocês estão juntas".
"Recebi a ligação quando ele já estava detido. Foi uma atitude infantil. Ele sai sempre com os amigos e nunca aconteceu absolutamente nada. Consegui falar com ele rapidamente na delegacia. É um garoto que tem boas notas. Estou constrangida pela situação", disse a mãe de um rapaz de 16 anos.
À Folha, a mulher contou que os rapazes detidos estudam juntos em um colégio do Itaim Bibi, bairro nobre da região oeste de São Paulo. Segundo ela, o fato de estarem em grupo pode ter favorecido a atitude do filho. "Ele não bebe. Vou tomar uma atitude em relação a isso, dar alguma punição ou talvez procurar um especialista."
Ela relatou ainda que o filho disse estar machucado e, quando ela perguntou o que havia ocorrido, ele respondeu: "mexeram com a gente".


AGRESSÃO
Primeiro, os cinco suspeitos atacaram dois amigos no início da avenida, na altura do número 459. Uma vítima conseguiu fugir em direção ao metrô, e a outra desmaiou com a agressão.
Em seguida o grupo seguiu pela avenida e, na altura do número 700, atacou um outro jovem, que foi ferido no rosto. Uma testemunha viu a agressão e chamou a Polícia Militar, que alcançou os cinco, detidos em flagrante.
A PM identificou o grupo como skinheads. No entanto, em depoimento à reportagem, uma das vítimas disse que eles não tinham a aparência característica de skinheads, como cabeças raspadas, e estavam bem vestidos, usando roupas de marcas famosas.
O jovem que desmaiou na avenida foi socorrido no pronto-socorro Vergueiro, muito machucado, e encaminhado ao hospital Oswaldo Cruz. As outras duas vítimas estão no 5º Distrito Policial (Aclimação), que investiga o caso.

domingo, 14 de novembro de 2010

BEM-VINDAS (OS)

Agora podemos contar com a colaboração de mais três integrantes em nossa secretaria: Jackson, Ester e Elcione. 
Que a sua chegada seja o prenúncio de grandes coisas, conforme o brilho que cada um irradia de maneira tão singular! Bem-vindos amigas (o), nessa luta nos irmanamos!!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Como prometido, aqui vai o nosso balanço do encontro do dia 25/10 

(Por Cleusa Trindade)
PESSOAS PRESENTES: CERCA DE 50 PESSOAS
DENTRE ELAS:
 (PROFESSORES de SP e também de Lorena, (de base e outros também que fazem parte de grupos específicos glbt, ), METALÚRGICOS (Vale do Paraíba),
TRABALHADORES DA SAÚDE DO MUNICÍPIO de SP;
 ESTUDANTES DA UNIBAN (CAMPO LIMPO)  E USP;
 REPRESENTANTES SINDICAIS: APEOESP, METROVIÁVIOS,  
GT- CONLUTAS
ALUNOS DE ESCOLAS ESTADUAIS

TAMBÉM TEVE PARTICIPAÇÃO DE GRUPOS DO MOVIMENTO LGBT: 
1.GAPPA
2. ELES
3.GATTA
4. ORGULHO E LUTA
5. CIDADANIA TRANS
Manhã: grupos de discussão, conforme programação folder
Tarde-mesa temática: Educação e Diversidade :
 Debatedores:
Wilson Silva - Professor da UNIBAN E MOV. NEGRO 
Marco Antonio - Vice -diretor da E.E.José Vieira de Moraes


Quem organizou: A secretaria LGBT da Subsede Sul da Apeoesp . Importante: Partiu da ação de professores da base, com o apoio da Oposição Alternativa, que coordena a Subsede.
Foi um encontro diferenciado dos normalmente feitos sobre opressão, pois primeiro: partiu da base; segundo: a discussão deu-se com um recorte marcadamente social, o  dia-a-dia de alunos, pais , professores e toda a comunidade escolar da periferia, os problemas enfrentados, não só na escola, como na sociedade em geral.
Tivemos mais de 100 inscrições entre professores com diferentes orientações e identidades sexuais, porém foi grande a homofobia e o medo de se ver relacionado a esse tipo de debate. Muitos professores não foram, além de estarem repondo greve, por causa da pressão que sofrem nas escolas, mesmo com orientação sexual heterossexual, se viram intimidados por pais conservadores e até por colegas.

Segue pequeno comentário  feito pelo Douglas (GT-Conlutas LGBT)

                                        
“Cleusa,
Queria ver contigo os desdobramentos do seminário.
Primeiro, acho que foi um sucesso. Ainda que não tenha lotado, o mais importante é ter acontecido, uma vez que os sindicatos não tem tradição de fazer isso. Segundo, aconteceu em meio às eleições, à reposição de aula, e mais um monte de atividades que sugou a militância e a vanguarda. Terceiro, houve uma participação ampla, de dirigentes, professores, alunos, militantes e grupos do movimento GLBT, e isso é qualitativo e representativo.
Creio que o balanço é absolutamente positivo.”

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

SOBRE SER MILITANTE

Falemos um pouco sobre ser militante, especialmente em ser militante entre o público dito LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros).

Desculpem meninas, mas como me identifico com o gênero masculino, farei um maior número de referências nesse gênero, mas saibam que me esforço para não ser exclusivista.

Quando é que uma pessoa deixa de ser “comum” e passa a ser um militante?  Temo que nessa questão, assim como em muitas outras, a coisa não seja tão fácil de definir. Parece que o conceito se dilui em uma série de sentidos e significados. Além do mais, quem lê, na hora que lê ( e depois também) atribui novos significados.  Mesmo assim, vejamos se é possível comunicar algo sobre isso.

Nos parece que todo mundo é militante, num primeiro momento, uma vez que todos agem e interagem no contexto específico que lhes confere singularidade.

O que queremos? Que mundo estamos querendo construir? Queremos manter esse mundo do jeito que ele é? Não queremos mudar o mundo?

Na verdade, todos querem mudar o mundo, só que cada um a seu modo. Os cristãos querem o reino de deus, assim como judeus,  muçulmanos e etc., mas nem aí há acordo. Uns pintam o reino com essas ou aquelas cores, outros já acham que ele é mais para o preto e branco, outros ainda acham que ele não tem cor nenhuma. Uns acham que é sobrenatural, outros acham que é supranatural, outros ainda o consideram imaterial.

 Bem, assim como os construtores do reino de deus não entram num acordo, também nós não temos muito claro se queremos ou não construir o “reino LGBTT”. Ao menos somos mais modestos e localizamos nossas pretensões aqui na terra, entre seres humanos e não as lançamos para além dos limites do possível. Mesmo assim, o que não falta é discordância entre nós. Uns querem ser gay escondidinho, outros querem ser gay as claras; uns querem adoração, outros querem ser amados; uns querem sexo casual, outros um relacionamento duradouro e com fidelidade... Não vamos entrar aqui numa tipologização sob o risco de nos perdermos.

Voltemos então ao “x” da questão: O que é ser um militante LGBTT? Para que ser um militante? Por que ser um militante?

A complexidade das perguntas requer que as respostas, necessariamente, sejam dadas coletivamente. Se alguém às responde sozinho, embora possa ser válida, essa resposta será apenas uma ínfima parcela da verdadeira resposta.  Isto significa que, seja qual for o nosso projeto de construção de um mundo novo, ele será sempre coletivo. Mas é um tipo de coletivo que não exclui a singularidade e a individualidade. Estas, na verdade, são condição para a coletividade. Eis aí um belo exemplo da velha dialética!

Desse modo, preocupar-se em responder essas questões é o mesmo que voltar-se para uma busca coletiva, é engajar-se numa luta que não é meramente individual.

Se alguém acha que poderá resolver as grandes questões que governam nossas vidas de maneira unicamente individual – pior ainda, com um individualismo consumista e hipócrita – está profundamente enganado. Todo projeto de “mundo novo” ou “mundo melhor” é necessariamente coletivo. 

Agora, se você não quer um mundo melhor, está satisfeito com esse, de duas uma: ou você é um burguesinho desgraçado ou vendeu-se e está a serviço deles.

 Não existe a possibilidade de um mundo mais justo, se continuamos insistindo em determinadas relações em que a propaganda se sobrepõe à realidade. Infelizmente, o que temos nos dias atuais é, não uma dialética, mas uma contradição radical entre o que vivemos e o que acreditamos e/ou pensamos.

Em outras palavras: vivemos  no reino da mentira e da hipocrisia. É verdade que sempre houve hipócritas e mentirosos, mas eles nunca foram tantos e nunca tiveram tanto poder.



segunda-feira, 11 de outubro de 2010



 Mais algumas fotos para as amigas e os amigos que acompanham o blog. Neste sábado, 16/10/10, as 16 h, estaremos nos reunindo para avaliar o encontro os rumos da secretaria. Mas todos que quiserem participar estão convidados. 
entre em contato:
e-mail       lira29paz@yahoo.com.br